segunda-feira, 7 de maio de 2007

Aquecimento global pode 'asfixiar' peixes
Mudança de temperatura diminui eficiência respiratória. Trabalho ajuda a mostrar possíveis efeitos do fenômeno na fauna.


O aquecimento global pode ser capaz de gerar um calor literalmente sufocante na Terra -- ou melhor, nos mares, de acordo com um novo estudo. Pesquisadores alemães verificaram que um oceano ligeiramente mais quente pode levar a uma redução significativa na população e no tamanho de uma espécie de peixe do mar do Norte -- isso porque a eficiência respiratória dos bichos cai com mais calor.

A medição foi feita com o peixe-carneiro europeu (Zoarces viviparus), comum na costa alemã do mar do Norte e do mar Báltico. Segundo Hans Pörtner e Rainer Knust, do Instituto Alfred Wegener de Pesquisa Polar e Marinha, a região marinha habitada pelo bicho teve sua temperatura aumentada em pouco mais de 1 grau Celsius nos últimos 40 anos. A dupla é especialista no estudo da chamada temperatura "pejus" ("pior", em latim). Essa temperatura é um ponto de virada para o funcionamento do organismo dos animais: quando se vai além dela, os bichos ficam menos eficientes para usar oxigênio e fazer seu corpo funcionar. Acontece que há indícios cada vez mais claros de que mesmo perturbações aparentemente mínimas, como a ocorrida no ambiente do peixe-carneiro europeu, são suficientes para levar os animais à temida temperatura "pejus". De quebra, a água mais quente é menos favorável à dissolução do oxigênio nela -- ou seja, tem menos oxigênio por litro.


O resultado não é uma mortandade em massa do peixe, mas uma mudança significativa na eficiência do bicho para se alimentar e reproduzir, que se reflete na queda de sua população e na diminuição do tamanho dos espécimes. Para os pesquisadores, esse pode ser um exemplo claro dos efeitos nocivos do aquecimento global em vários ambientes marinhos.

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